[SAÚDE & VIDA]. Aos 8 Anos em Coma: A Menina que Sobreviveu em 1992 e o Grito de Gratidão aos Profissionais da Saúde



Em 1992, uma criança sobreviveu a 40 dias em coma na UNICAMP. Hoje, jornalista e mãe, ela resgata essa história para homenagear aqueles que vivem entre plantões, dívidas, aulas e exaustão mental para salvar vidas — mesmo quando ninguém vê.

Por Diane Leite
Jornalista e sobrevivente da meningoencefalite

 Em 1994, aos 8 anos, Diane ficou 40 dias em coma por meningoencefalite. Ela sobreviveu graças à UNICAMP.


A Encefalite Que Mudou Tudo

Meningoencefalite é o nome técnico, mas para quem vive, é uma batalha entre a vida e a morte. Trata-se de uma inflamação das meninges e do encéfalo, que pode ser causada por vírus, bactérias ou até processos autoimunes.

Os sintomas podem parecer banais no início: febre, dor de cabeça, sonolência. Mas rapidamente evoluem para vômitos, convulsões e coma. A maioria dos casos ocorre em crianças pequenas, com menos de cinco anos.
Fonte: gov.br/saude


O Que os Pais Precisam Saber

Os sinais de alerta exigem atenção máxima:

Em bebês:

Moleira abaulada

Irritabilidade intensa

Dificuldade para acordar

Mãos e pés frios

Convulsões


Em crianças maiores:

Vômitos em jato

Fotofobia

Rigidez na nuca

Febre alta e sonolência extrema


Fonte: Prefeitura de São Paulo – capital.sp.gov.br


UNICAMP: Um Santuário de Esperança

Em 1992, mesmo com estrutura mais simples que a atual, a UNICAMP já era sinônimo de excelência. Médicos, enfermeiros e biomédicos enfrentaram dias sem dormir para salvar a vida daquela menina — eu.

Enfermeiros, médicos, biomédicos e professores vivem uma rotina invisível: salvar vidas e sobreviver à exaustão.


A Jornada Invisível: A Dívida que Vem com o Jaleco

Ser médico no Brasil ainda é um sonho inacessível para muitos. Quem consegue, muitas vezes se endivida por anos. Faculdades como a PUC-PR cobram até R$R$ 13.319,24 por mês.

Após seis anos de graduação, muitos ainda enfrentam mais 2 a 6 anos de residência, com bolsas a partir de R$ 4mil  mensais. E tudo isso para iniciar a carreira com um salário que gira em torno de R$ 11.888,48, trabalhando 27 horas semanais.
Fonte: Medway

Para completar a renda e pagar as parcelas da faculdade, muitos médicos, enfermeiros e biomédicos ainda dão aula em cursos técnicos, universidades e pós-graduações — tudo isso à custa da própria vida pessoal.


Exaustão Mental: A Epidemia Silenciosa

Eles ouvem gritos, veem traumas, lidam com perdas. Vidas nas mãos. Nomes esquecidos. Famílias destruídas. Um erro custa tudo.

Mas quando o plantão acaba, não há tempo para descansar: tem filho para cuidar, comida para fazer, e às vezes, um segundo turno de aula ou um artigo científico para terminar.
Depois de 12 horas no hospital, ela ainda precisa ser mãe, esposa, filha, dona de casa. Quem cuida de quem cuida?

Obrigada Por Existirem

Aos médicos, enfermeiros, biomédicos, fisioterapeutas, psicólogos, técnicos, dentistas, cirurgiões e professores da área da saúde:
Obrigada.

Obrigada por não desistirem.
Obrigada por suportarem a dor que ninguém vê.
Obrigada por aguentarem o sistema para que a gente aguente a vida.

Vocês são o elo entre o milagre e a esperança. E se hoje eu estou aqui, escrevendo, é porque vocês acreditaram quando tudo parecia perdido.

Referências:

Ministério da Saúde – gov.br

Prefeitura de SP – capital.sp.gov.br

Medway – medway.com.br

Brasil Escola – brasilescola.uol.com.br

MEC – mec.gov.br

PUC PR 


Texto autoral de Diane Leite
Jornalista, escritora, mãe e sobrevivente da meningoencefalite.


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